domingo, 1 de maio de 2011

Preparar prospecções com Google Earth e GPS

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Software necessário:        
                                         
 - Google Earth               
 - GPS Babel                   
 - Easy GPS                     
   
  (Este post é  um aprofundamento de um tema anterior)
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A prospecção arqueológica (ou de outro tipo) de uma dada zona deve ser antecedida de um estudo da cartografia e da paisagem com vista a adquirir uma noção da morfologia da zona - linhas de água, principais declives, acidentes topográficos, etc.

Este estudo (que não ocupa tanto tempo como por se possa pensar), se bem feito, permite melhorar a eficiência e é também um factor de segurança para o prospector (ter noção, por exemplo, da proximidade das estradas caso seja preciso pedir ajuda).

Os métodos clássicos continuam a ser, na minha opinião, extremamente válidos - nada como levar um mapa topográfico (normalmente a carta militar) connosco. No entanto, quando se trata de áreas extensas, como por exemplo um troço de uma estrada ou a bacia de uma futura barragem, poderá ser interessante levar connosco um GPS com alguns pontos de referência.

domingo, 17 de abril de 2011

Quantum GIS (QGIS) 1.7

Decorreu no passado dia 14 de Abril, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o QGIS Day  que antecedeu o Qgis Developer Meeting que deverá culminar no lançamento da versão 1.7 do Quantum GIS(QGIS) , uma das melhores soluções livres disponíveis actualmente.

Para quem não conheça, o QGIS é muito mais que um software para sistemas de informação geográfica, é uma plataforma altamente produtiva para trabalhar  dados geográficos. Além das clássicas operações de visualização e edição de dados, o QGIS ofereçe uma interface gráfica para tirar partido das poderosas capacidades de análise do GRASS, pode ser utilizado como aplicação cliente de bases de dados PostGIS, podemos também tirar partido de uma grande fonte de dados (imagens satélite google por exemplo) e a isto tudo ainda acrescem dezenas de plugins desenvolvidos por utilizadores de todo o mundo.

Por muito bom que isto pareça, a verdade é que ainda ficará melhor, pelo menos a julgar pelo que foi anunciado no QGIS Day. As melhorias que serão disponibilizadas pela versão 1.7 (que deverá estar disponível ainda este mês), foram apresentadas por Giovanni Manghi da Faunalia, e, para conhecimento, deixo aqui uma nota das que me parecem mais relevantes.

1. Reprojecção de Rasters

Uma das mais antigas e mais desejadas capacidades que se pedia ao QGIS. A partir da versão 1.7 já será possível sobrepor automaticamente mapas em formato raster e visualizá-los com o sistema de coordenadas do nosso projecto. Isso significa que se o nosso projecto estiver, por exemplo,  em WGS84, e adicionarmos um mapa raster cujo sistema de coordenadas seja Datum 73, não precisaremos de transformar o sistema de coordenadas desse mapa porque ele será automaticamente projectado no sistema de coordenadas do nosso projecto.

2. Opções de etiquetagem de objectos vectoriais

Não vale a pena alongar muito este tópico. Basta visitar esta mensagem no blog Linfiniti (editado por um dos programadores do QGIS) para ficar a saber todos os pormenores. Basicamente passará a haver muito mais opções para etiquetas o que certamente será extremamente útil.

A versão 1.7 será a última versão estável antes do lançamento do QGIS 2.0 - que ainda não tem data anunciada mas que já contará com algumas funcionalidades extra, entre as quais um globo tridimensional - tipo goolge earth, mas que permitirá visualizações tridimensionais dos mapas produzidos em QGIS.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Toponímia de Portugal

Geonames.org é um repositório online de dados toponímicos gratuítos ao abrigo da licença Creative Commons Attribution 3.0. A partir deste repositório podemos descarregar, em formato .txt, a informação toponímica de um dado país. Neste post farei uma demonstração daquela que me parece ser a forma mais simples de transformar estes dados em informação geográfica vectorial.

sexta-feira, 18 de março de 2011

GPS Babel (Google Earth para GPS e viceversa)

A oferta de receptores GPS actualmente disponível é imensa - há para todas as necessidades e para quase todas as carteiras. No entanto isto origina um problema  (em grande parte criado pelo apego dos fabricantes aos formatos de ficheiro proprietários ou fechados) na hora de enviar e receber ficheiros do GPS para o computador e/ou entre receptores de GPS. 

Esta tarefa, teoricamente simples, é dificultada pelo simples facto de cada fabricante GPS ter os seus formatos e, na maioria das vezes, se não tivermos instalado no nosso PC o software desse fabricante não podemos simplesmente retirar a informação do receptor e guardá-la numa directoria no nosso PC.

Suponhamos, por exemplo, que um amigo vos empresta um GPS. Ao longo do dia fazem as vossas medições e, no final do dia, querem descarregar os dados para os visualizar, por exemplo, no Google Earth (GE). Com o software GPS Babel, um projecto open source desenvolvido desde 2002, apenas necessitarão de um cabo USB!

O programa funciona numa lógica de input/output. Neste exemplo, o GPS é um Garmin da série ETreX - será o nosso input  (dados de entrada). O output (dados de saída) será um ficheiro do tipo KML (para podermos abrir com o Google Earth). Após esta operação basta abrirmos o ficheiro criado com o Google Earth para visualizar os nossos dados.

 
O contrário também é possível. Podemos criar trajectos no Google Earth (por exemplo um percurso de uma caminhada), ou pontos de interesse, (por exemplo moínhos, ruínas, manchas "suspeitas"), guardar no formato KML, e depois utilizar o GPS Babel para enviar para o nosso GPS ou, como é o caso na imagem abaixo, converter KML para GDB (formato da Garmin), para editar/visualizar no software da Garmin e/ou enviar para o receptor.

Nota Importante: no caso da conversão KML para GDB (ou possivelmente para outros formatos), a conversão não preserva o nome das geometrias. Por exemplo temos um KML com dois pontos que quando os criámos no GE demos o nome de "ruinas" e "quinta". Depois de convertido para GDB, os pontos assumirão o nome "Waypoint1" e "Waypoint2". Isto obriga a que, depois de feita a conversão, se editem os nomes manualmente caso queiramos que os nomes originais apareçam na hora de utilizarmos o receptor GPS em campo.

domingo, 13 de março de 2011

Melhorar a precisão das medições GPS em tempo real - 3

O último deste ciclo de posts dedicados à precisão de medições GPS com aparelhos de gama baixa tratará  de alguns conselhos práticos relativos ao acto da recolha em si. Pressupondo que os cuidados descritos anteriormente foram tidos, há que saber tirar partido deles no momento em que temos o aparelho na mão.

O primeiro cuidado, e o mais importante, diz respeito ao tempo que se deve dar ao receptor para aferir a coordenada de um ponto. Uma vez chegados ao ponto que pretendemos registar devemos estabilizar o aparelho na mesma posição e orientação durante pelo menos 30 segundos. Durante esses 30 segundos o receptor irá aferir a coordenada várias vezes e a coordenada final que ficará registada resulta das várias medições efectuadas ao longo desses 30 segundos. Consequentemente quanto mais tempo dermos ao aparelho para fazer medições mais precisa será a coordenada final. Em zonas urbanas de malha estreita, florestas ou em falésias/desfiladeiros, aconselho pelo menos 1 minuto - ou mais se tiverem tempo e paciência.

Este princípio também é válido se quiseremos registar áreas - por exemplo manchas de dispersão de materiais arqueológicos. Uma vez que a maioria dos GPS de gama baixa não permite o registo directo de polígonos, a solução será registar os vértices do polígono como pontos e posteriormente - em ambiente SIG  - construir um polígono a partir desses pontos de vértice. Para tal deverão primeiro fazer uma avaliação prévia da forma do polígono de modo a que abranja a área que querem registar, e ficar 30s parados em cada vértice do vosso polígono.


Finalmente há que ter em conta o posicionamento do receptor. No momento de registo de pontos o aparelho  não deve estar encostado ao corpo do utilizador e deve estar num angulo de 45º. A antena (normalmente no parte superior do aparelho) deve estar desobstruída e devemos posicionar-nos de modo a garantir uma abóboda celeste o mais desimpedida possível - por exemplo, se, virados para Norte tivermos uma parede, devemos virar-nos para outra direcção cardeal que esteja mais desafogada.


Estas recomendações ergonómicas - sugeridas pelos fabricantes, têm em vista reduzir ao mínimo possível as distorções de reflectância dos sinais rádio emitidos pelo GPS - o corpo humano ,  à semelhança de outros objectos, é um potencial distorcedor de sinais rádio.